Calé Alencar interpretando a loa Mestre Juca do Balaio em homenagem ao
mestre Joaquim Pessoa de Araújo, do Maracatu Az de Ouro. 2000. Show
Dragão Vivo no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, Ceará, Brasil.
Participações: Mestre Juca do Balaio e Dilson Pinheiro.
Catimbó deriva da língua tupi antiga, onde caa significa floresta e timbó refere-se a uma espécie de torpor que se assemelha à morte. Na região Nordeste, o Catimbó, enquanto prática mágico-religiosa, resulta da fusão entre as práticas de magia medieval, cerimônias judárabes, rituais indígenas e afros, agregados ao contexto do catolicismo. Catimbó é portanto, sincretismo, mistura, forte miscigenação de culturas e influências.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
Catimbó, magia, mistério, ocultismo, música eletrônica e popular
Esta mistura circula no som do catimbó.
Dizem os mais entendidos que o catimbó não possui em seus cultos uma
hierarquia, todos os integrantes participam com a mesma
intensidade do processo de criação assim como apresentam suas
composições autorais.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Os encantados e os portais.
" Minhas lágrimas são o rio, eu sou a barreira do mar, eu sou a Pororoca. Defendo o povo contra a maldade que vem do mar."
Os Kalankó são descendentes de um dos povos indígenas que viveram, durante o século XIX, no aldeamento Brejo dos Padres, em Pernambuco
Os encantados são antepassados que enquanto estavam vivos se transformaram e se tornaram parte da natureza. Muitos, inclusive, estão associados a algum elemento natural, como por exemplo, o encantado Cinta Vermelha que está associado ao umbu.
Os encantados estão diretamente ligados ao sistema medicinal kalankó e atuam de forma a prevenir e curar doenças, entre outras coisas.
O indivíduo é procurado pelo encantado através do sonho ou durante uma consulta espiritual de Serviço de Chão. Em seguida, o encantado surge na forma de uma “semente” que pode ser uma pedra e até uma bola de gude. A “semente” deve ser zelada sempre, senão corre o risco de desaparecer. Os encantados que não possuem “sementes” na comunidade devem ser autorizados a trabalhar ali pelos seus respectivos “donos” (ou seja, a pessoa que tem um vínculo com o encantado).
A partir do momento que uma pessoa encontra uma “semente”, ela tem a obrigação de “colocá-la em trabalho”, isto é, fazer uma consulta espiritual para saber quem é o “dono da semente” e se é preciso “levantar o homem” [fazer a veste que o dançador usará no terreiro].
Nem todos os encantados são “levantados”, a maior parte deles não o é. Geralmente atuam em consultas espirituais (quando invocados) ou apenas zelam pela comunidade durante os Torés.
O grupo dos encantados é bastante dinâmico. Antigamente havia encantados como a Sereia do Mar que apesar de não possuir veste e não atuar mais no Praiá mantinha seus Torés na comunidade. Além da Sereia do Mar, existiam outros encantados que se destacavam no “tempo dos antepassados”: Manoel Brabo, Caboclo da Meia Noite, Caboclo da Imburana, Caboclo Xofreu, Lenço Branco, Mestre Bizunga e Quebra Pedra.
Cada encantado tem um número específico de músicas. Quanto mais cantos possuir, mais forte ele é.
Os encantados mais fortes entre os Kalankó são Carro Branco, Sereno, Lambuzinho e Cinta Vermelha.
O mundo encantado se assenta em uma ordem hierárquica: comandante, capitão, dono de batalhão, mestre e caboclo. Os encantados do alto sertão alagoano também fazem parte de um sistema mais abrangente e acabam atuando em todas as comunidades indígenas do alto sertão nordestino.
Para os Kalankó, a “força encantada” decorre da presença e atuação dos encantados no terreiro. Esta força atua em três níveis: no Toré, quando a partir do canto, os encantos apenas observam o evento; no Praiá, quando a “força encantada” chega ao terreiro e é compartilhada com todos os dançadores; e no Serviço de Chão, quando é incorporada pelo cantador e, dessa forma, o encantado fala diretamente com os presentes.
A “força encantada” é fonte de coragem e proteção, mas nem todas as pessoas conseguem recebê-la, pois o corpo precisa ser forte.
A vida kalankó é repleta de obrigações. Para que os elementos rituais se mantenham poderosos, seja a “semente”, a veste, ou o terreiro, seus “donos” devem cumprir algumas obrigações.
Geralmente, essas obrigações são “encruzar” e defumar o elemento. O maracá é “encruzado” de dois em dois dias. A veste do Praiá, todo dia. A “semente”, que representa materialmente o próprio encantado, também deve ser cuidada.
As obrigações também estão ligadas aos cuidados com o corpo. Deve-se tomar nove banhos cheirosos antes do ritual. Os Kalankó, ao acordar, fazem o sinal da cruz, que é novamente feito antes de dormir. Fumam o campiô diariamente e este é “encruzado” duas vezes ao dia.
Alguns rituais também são vistos como “obrigações”. Este é o caso do Ritual do Umbu, no Sábado de Aleluia.
Retirado do site http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kalanko/2053
domingo, 21 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
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